19/03/2016 às 20h34min - Atualizada em 19/03/2016 às 20h34min

Comandante da PM manda prender coronel que fez campanha para Renan Filho

O Fato com Cada Minuto

O comandante da Polícia Militar de Alagoas (PM), coronel Lima Júnior, determinou, no último dia 7 de março, a prisão do coronel Ivon Berto, que articulou para o governador Renan Filho (PMDB) a campanha eleitoral junto à tropa em 2014. A reprimenda disciplinar de quatro dias de prisão é uma punição pela iniciativa que o agora ex-aliado do governador teve de denunciar à imprensa, em 2013, casos de ingerência política na PM e equívocos na estratégia da pasta da Segurança Pública, na condução do Programa Brasil Mais Seguro. Fatos estes que alimentaram os discursos de Renan Filho durante a campanha eleitoral.

O motivo da punição foi uma entrevista que Ivon Berto concedeu ao jornal Gazeta de Alagoas, publicada na edição de 06 de outubro de 2013, quando o coronel era chefe do Estado Maior da PM.

O ex-comandante da PM, coronel Dimas Cavalcante, e seu irmão e ex-gestor da Segurança Pública de Alagoas, coronel Dário César, foram os principais alvos das críticas expostas na entrevista à Gazeta.

Ao conceder a entrevista que foi objeto do processo disciplinar que resultou na reprimenda, o oficial do Alto Comando da PM havia denunciado que o vereador Silvânio Barbosa (PMDB) havia anunciado em um show a substituição do tenente-coronel Maciel Pantaleão Silva, do comando do 5º Batalhão.

Ivon narrou que havia um registro da ocorrência em que outro militar anotou que Pantaleão foi xingado pelo vereador pelo microfone do palco da festa junina promovida em no reduto político de Silvânio, no Benedito Bentes, quando este soube da determinação para a suspensão de apresentações musicais.

Ainda conforme a entrevista, Silvânio Barbosa, que era aliado do governo tucano, desrespeitou a ordem policial, chamou o oficial de “bosta” e anunciou a transferência do comando do batalhão daquela que era a região mais crítica em termos de registros de homicídios e de tráfico de drogas. A mudança de comando ocorreu menos de três meses depois do anúncio de Silvânio, ainda na gestão de Dário Cesar.

Em menos de 20 dias após a entrevista concedida ao jornalista que hoje responde pelo Blog do Davi Soares, Ivon Berto foi exonerado da função de chefe do Estado Maior da PM, e passou a ser chefe de gabinete do comandante da tropa, função que o isolou na PM. Hoje, o oficial se encontra ainda mais isolado, sem função, após o ingresso de mais três coronéis via decisão judicial contra a qual o atual governador não recorreu.

 

Articulador

Ivon Berto foi candidato a deputado federal em 2014, pelo PTB, obteve 6.366 votos e ficou como quinto suplente na coligação de 11 partidos que apoiaram Renan Filho.

O coronel alvo da reprimenda disciplinar cumpriu tarefas importantes na campanha que elegeu o governador do PMDB, a exemplo de aproximar do então candidato o Alto Comando da corporação e os integrantes da reserva técnica da PM.

Além disso, antes mesmo de se aliar ao atual governador, coronel Ivon foi um dos líderes do levante militar de dezembro de 2013, que resultou nas conquistas salariais responsáveis por aplacar as insatisfações da tropa entre o final do governo de Teotonio Vilela e início da gestão de Renan Filho.

A prisão administrativa faz parte da legislação militar remanescente da Ditadura, que ainda impede servidores públicos integrantes de forças militares de terem liberdade de expressão, criticar superiores em público, ou discutir em meios de comunicação sobre assuntos políticos e militares sem autorização dos seus comandantes. 

Tentar se livrar da mordaça para expor equívocos no combate ao crime pode ter sido um crime militar cometido por Ivon Berto, segundo a decisão do Comando da PM, que deve instaurar Inquérito Policial Militar, em virtude dos indícios levantados pela sindicância.

Veja a argumentação legal do comandante:

Mais uma vez

É a segunda vez que o coronel Ivon Berto será preso por ter exposto críticas que incentivaram protestos de militares no final de dezembro de 2013 e alimentaram o discurso eleitoral oposicionista do atual governador contra seu antecessor Teotonio Vilela Filho (PSDB). Há dois anos e quatro meses, o juiz José Cavalcanti Manso, da 13ª Vara Criminal da Capital – Auditoria Militar, determinou primeira prisão preventiva do coronel Ivon, que deveria durar 72 horas mas foi revogada em menos de 48 horas, por meio de um habeas corpus. Àquela época, Ivon era o coronel mais antigo da corporação e se dirigiu ao local da prisão no próprio carro.

O Blog do Davi Soares apurou que a prisão do oficial militar somente deve ser cumprida na Semana Santa, quando o coronel retornar de uma licença médica. Ele deve ficar recolhido no alojamento da Academia da PM, no Trapiche.

Abaixo, a reprodução da entrevista causadora da punição. O fato de ter feito as denúncias de farda, também pesou na reprimenda administrativa.

 


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