20/05/2016 às 10h18min - Atualizada em 20/05/2016 às 10h18min

Com criminalidade em queda, Holanda abriga refugiados em cadeias ociosas

O Fato com Agência Folha

 

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A criminalidade está diminuindo na Holanda, e o país procura novas maneiras de usar seus presídios. O governo deixou a Bélgica e Noruega colocar detentos seus em celas ociosas.

Agora, com o fluxo enorme de refugiados e imigrantes que chegam à Europa, vários presídios holandeses estão sendo utilizados como abrigos temporários para candidatos a asilo no país.

As 12 antigas cadeias foram transformados a tal ponto que mal são reconhecíveis como locais antes usados para a detenção involuntária, se bem que em alguns casos as portas reforçadas das celas e as grades nas janelas sirvam de indício do passado.

Com seus telhados em domo e as galerias circulares de celas em volta de um pátio coberto central, os presídios das cidades de Haarlem e Arhem são vistos como monumentos nacionais e não podem ser reformados.

Mesmo assim, com quase 60 mil refugiados e imigrantes tendo chegado à Holanda no ano passado, são utilizados temporariamente para abrigar centenas de candidatos a asilo.

"Tivemos que pensar duas vezes antes de usar presídios com portas nas celas", disse Janet Helder, membro do conselho de direção do órgão governamental holandês responsável por alojar os candidatos a asilo.

"Algumas pessoas perguntaram 'como vocês podem colocar pessoas que estavam na prisão na Síria em uma prisão aqui?'. Então decidimos que, se isso realmente for um problema, encontraremos outro lugar para elas."

Mas, acrescentou Helder, as prisões em muitos casos são muito adequadas à sua nova utilização. O órgão que ela administra hoje aloja cerca de 41 mil pessoas em 120 lugares espalhados pelo país.

"Os quartos são para uma ou duas pessoas. Em muitos dos locais há academias de ginástica e cozinhas boas. Assim, em certo sentido os antigos presídios atendem a muitos de nossos requisitos."

POUCAS QUEIXAS

Candidatos a asilo com quem a Associated Press falou durante visitas recentes aos presídios tiveram poucas queixas, exceto reclamações sobre a comida.

Apesar de viverem em prisões, eles podem sair livremente durante o dia e até mesmo passar algumas noites fora.

O sírio Abdul Moeen Alhaji, 16, ficou inicialmente em uma barraca num acampamento temporário nos arredores da cidade de Nijmegen e está contente por agora estar alojado numa cela de prisão.

"Não sinto que seja uma prisão", ele disse. "O que interessa é que estamos seguros aqui."

Menno Schot, que administra o centro no presídio de Haarlem, diz que procuram ajudar as 400 pessas a se adaptarem à vida na Holanda, enquanto aguardam o início do longo processo de concessão de asilo.

Para a yazidi Gerbia Hajji, 18, de Sinjar (Iraque), a adaptação envolve aprender a andar de bicicleta no pátio do presídio. Seu marido, Yassir, era barbeiro em seu país e quer aprender holandês para poder voltar a praticar seu ofício.

Num dia recente, estava treinando sua arte, aparando as sobrancelhas da mulher na cela que eles dividem no terceiro andar do presídio.

Uma cela vizinha trazia uma flor presa à porta com fita adesiva. Dentro dela, Hamed Karmi tocava um teclado, enquanto sua mulher, Farishta Morahami, ouvia a música.

Para o casal jovem que fugiu de uma vila perto da capital afegã, Cabul, em meio aos ataques crescentes do Taleban, era uma maneira calma de passar alguns minutos. Eles pagaram US$ 8.000 a traficantes para chegarem à Europa.

Falando dos novos residentes do presídio, Schot comentou: "Além da saúde e das necessidades cotidianas deles, a segurança deles é nossa maior prioridade. Eles não conhecem o país, de modo que nós somos seus guias na Holanda."

Tradução de CLARA ALLAIN


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