28/06/2016 às 02h22min - Atualizada em 28/06/2016 às 02h22min

Papa diz que Igreja deve pedir perdão a gays por tratamento no passado

Francisco afirmou também que Vaticano deve desculpas pela forma como tratou as mulheres e por fazer visto grossa ao trabalho infantil

O Fato com Estadão

 

Em mais uma de suas conversas espontâneas a bordo de um avião, papa Francisco disse, neste domingo, 26, que a Igreja Católica deve pedir perdão aos homossexuais, à maneira como tratou as mulheres, por fazer vista grossa ao trabalho infantil e pela "bênção a tantas armas" no passado.

 

 

 

A conversa, de cerca de uma hora de duração, ocorreu no avião que o levava da Armênia para Roma. Já virou praxe das viagens internacionais do papa esse tipo de abordagem informal. Na volta da viagem que fez ao Brasil, em 2013, por exemplo, ele chegou a comentar "quem sou eu para condenar os gays?".

 

Na viagem deste domingo, quando um repórter mencionou o atentado que deixou 49 mortos em uma boate gay em Orlando, na Flórida, o sumo pontífice ficou claramente triste. Recordando ensinamentos cristãos, o papa Francisco afirmou que os homossexuais "não devem ser discriminados". "Eles devem ser respeitados, acompanhados pastoralmente".

 

 

Papa conversou com jornalistas a bordo do avião que o levava da Armênia para Roma

Papa conversou com jornalistas a bordo do avião que o levava da Armênia para Roma

Papa conversou com jornalistas a bordo do avião que o levava da Armênia para Roma

 

 

"Acho que a igreja não deve apenas pedir desculpas a uma pessoa gay a quem ofendeu, mas também deve pedir desculpas aos pobres, bem como às mulheres que foram exploradas, às crianças que foram exploradas por trabalho forçado. Deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas."

 

Para o sociólogo e biólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o discurso de Francisco é uma continuidade dos anteriores, não só deles, mas de seus antecessores também. “Isso já vem de muito tempo na Igreja: o respeito é a acolhida à pessoa homossexual. É diferente, é claro, sobre a discussão da ideologia de gênero; o que a Igreja prega é a acolhida à pessoa”, contextualiza. “A novidade em Francisco é sua maneira de falar. E sua capacidade de fazer uma autocrítica à Igreja.”

 

Ribeiro comenta que Francisco parece estar, em muitas ocasiões, frisando: “não estou dizendo que a Igreja está errada, mas estou dizendo que ela não trabalhou bem com isso no passado”. E isto tem um poder de cativar, de encantar o público.

 

O papa também opinou que "as intenções de Martinho Lutero não eram equivocadas", disse o sumo pontífice, sobre o teólogo responsável pela cisão da Igreja. "Ele deu um remédio à Igreja", comentou o papa, frisando que na época a instituição católica estava perdida no poder, no dinheiro e na corrupção. 


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