07/01/2016 às 18h38min - Atualizada em 07/01/2016 às 18h38min

Ex-vereador de Maceió é citado como mediador da 'Máfia das Funerárias'

Relatos mostram negociação de tickets alimentação e caixões para indigentes

O Fato com a Gazetaweb

Gazetaweb teve acesso com exclusividade aos depoimentos prestados pelos suspeitos de integrar a 'Máfia das Funerárias', desbaratada nesta quinta-feira (7), durante operação policial deflagrada em Maceió. Nas declarações dadas na Divisão Especial de Investigação e Captura (Deic), um dos agentes funerários presos diz que o esquema foi intermediado por um ex-vereador de Maceió. 

Quando a ação foi planejada, o então diretor do Hospital Geral do Estado (HGE) - à época Hospital de Pronto Socorro (HPS) ? também teria participado das reuniões que definiram o funcionamento do esquema. Os encontros teriam acontecido na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e no próprio HPS. 

O acordo previa que a unidade de saúde fornecesse tickets para café, almoço e jantar dos agentes funerários que estivessem de plantão no necrotério do hospital. Segundo um dos presos, em contrapartida a esse benefício, as funerárias teriam se comprometido a realizar um serviço ?humanitário?, cedendo caixões sem nenhum custo sempre que houvesse um óbito de algum indigente.

"Todos os diretores e administradores que assumiam o Hospital Geral do Estado ficavam sabendo da existência desse acordo, inclusive até a data de hoje são liberados os tickets, que atualmente são fornecidos pelo Fiscal de Supervisão, autorizado pela Direção do Hospital", diz o depoimento prestado na Deic.

 

Tickets para refeições seriam doadas pelo HGE, de acordo com depoimento

FOTO: GAZETAWEB/DIVULGAÇÃO

O nome do ex-vereador é citado no depoimento, mas o Ministério Público Estadual ainda não confirma se ele será investigado. De acordo com o promotor Flávio Gomes da Costa, o órgão vai aguardar que o advogado de defesa encaminhe à Deic um ofício solicitando o aprofundamento das investigações para tomar algum posicionamento a respeito, inclusive aos citados em depoimento.

 

Em todos os depoimentos, os suspeitos afirmam que não tinham conhecimento da ilegalidade da ação, que acontecia, segundo eles, com o conhecimento dos diretores do hospital há "muito tempo".  

Gazetaweb tentou contato com o delegado Ronilson Medeiros, mas ele não atendeu às ligações. 

A Máfia das funerárias

Um esquema denunciado ao Ministério Público Estadual (MPE) e investigado pela Polícia Civil revelou uma máfia existente no Hospital Geral do Estado (HGE) há mais de 30 anos, que envolvia 22 funerárias de Alagoas. Estas empresas concorriam a um plantão na unidade e praticamente deixavam os usuários limitados na hora de contratar os serviços funerários em caso de morte dos pacientes internados. A polícia informou que as gestões eram coniventes. Ao todo, 13 pessoas foram presas nesta quinta-feira (7) numa operação deflagrada pela Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), da Polícia Civil, sendo 10 representantes das funerárias e três que se passavam por funcionários do hospital.

Foram presos Marcelo Lúcio Santos Costa, 38 anos; Robson Tadeu Silva Costa, 63; Maria Cícera dos Santos Lima, 47; Moacir Correia Araújo Filho, 52; Hudson Soares de Menezes, 30; Liane Régis Lins, 36; José Luiz de Souza,  61; José Eduardo Maia, 44; Adeilton Antônio da Silva, 58; José Carlos Santos Costa, 46. Estes, de acordo com a polícia, são representantes das empresas funerárias.Também foram detidos os funcionários do HGE Rogério Pereira Teixeira de Miranda, 34, Rogério dos Santos Costa, 38, e Marcelo Felipe da Silva, de 33 anos. 


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