10/04/2017 às 01h52min - Atualizada em 10/04/2017 às 01h52min

Explosões em igrejas cristãs deixam dezenas de mortos e feridos no Egito

O Fato com Agência

Duas explosões em igrejas egípcias mataram ao menos 44 pessoas e deixaram mais de cem feridos durante as celebrações de Domingo de Ramos (9), semanas antes da visita do papa Francisco.

A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou as ações por meio de um de seus canais oficiais e prometeu intensificar a violência, desafiando a habilidade do governo de proteger sua principal minoria religiosa.

O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, decretou um estado de emergência de três meses. A medida não foi detalhada, mas deve facilitar detenções e proibir protestos. O Parlamento precisa aprovar a sua implementação.

O primeiro ataque deixou ao menos 27 mortos e 78 feridos na igreja de Mar Girgis, na cidade de Tanta, no delta do rio Nilo, segundo o Ministério da Saúde do Egito.

Um homem-bomba explodiu em seguida diante da catedral de São Marco, em Alexandria, na costa mediterrânea, vitimando ao menos 17 pessoas e ferindo outras 48.

O patriarca Tawadros, líder da igreja egípcia, estava no edifício atacado em Alexandria, mas não se machucou. "Esses atos não irão ferir a unidade do povo", disse.

COPTAS

Imagens de Tanta mostram os bancos da igreja ensanguentados entre fumaça. Alguns corpos estão no chão, cobertos por papel.

Mar Girgis é o nome dado no Egito a São Jorge. Os coptas, ramo egípcio do cristianismo, correspondem a cerca de 10% da população de mais de 90 milhões. Apesar de os atritos no dia a dia serem raros, houve outros episódios de violência sectária durante os últimos anos.

Os ataques se tornaram mais comuns depois da queda do presidente islamita, Mohammed Mursi, que representava a Irmandade Muçulmana. Islamitas culpam cristãos por terem apoiado o golpe militar de 2013.

A organização terrorista Estado Islâmico, que assumiu um ataque contra outra igreja copta em dezembro de 2016, com 25 mortos, havia voltado a ameaçar cristãos em um comunicado divulgado em fevereiro deste ano.

Essa milícia radical, baseada na Síria e no Iraque, tem um importante braço no norte do deserto do Sinai.

Dezenas de cristãos deixaram o Sinai em fevereiro após uma onda de assassinatos por essa organização.

FORÇAS DO MAL

O ataque à igreja aumentará a pressão para que o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, incremente a segurança e impeça novos atentados. Ele anunciou que soldados vão auxiliar a polícia na proteção de locais em risco, uma medida rara.

Há receio entre ativistas de que isso leve a um recrudescimento ainda maior no país, onde as liberdades individuais têm minguado, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

Sisi afirmou, no domingo, que atentados terroristas "não vão sabotar a determinação e a vontade verdadeira do povo egípcio de combater as forças do mal".

O presidente americano, Donald Trump, afirmou ter "confiança de que o presidente Sisi vai lidar com a situação da maneira adequada". Trump recebeu Sisi em uma visita à Casa Branca, durante a semana passada.

O Departamento de Estado americano emitiu um comunicado condenando o atentado e dizendo que "os EUA vão continuar a apoiar a estabilidade e segurança do Egito em seus esforços de derrotar o terrorismo".

PAPA

A explosão na igreja copta coincide com a visita do papa Francisco, prevista para o fim deste mês, o que colocará a tensão sectária e a capacidade do aparato de segurança ainda mais em foco.

O papa afirmou, durante uma missa no Vaticano, que "reza pelos mortos" do ataque às igrejas. "Que o senhor converta os corações das pessoas que semeiam terror, violência e morte e mesmo os corações daqueles que produzem e traficam armas."

Cristãos egípcios não enfrentam apenas a violência de grupos radicais islamitas. Ativistas acusam também o governo de discriminá-los.

Tribunais condenam coptas com base em um artigo do Código Penal que pune a blasfêmia. Foram três casos em 2011, ano da revolução que derrubou o então ditador Hosni Mubarak. Em 2015, já no governo Sisi, foram 21.

Um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos é o dos adolescentes que foram condenados a cinco anos de prisão por gravar um vídeo ridicularizandoo Estado Islâmico –o que foi considerado um desrespeito ao islã.

Os jovens dizem que estavam criticando a facção terrorista, no vídeo, por ter matado 21 cristãos egípcios trabalhando na Líbia, em 2015.

Folha


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