25/10/2016 às 23h44min - Atualizada em 25/10/2016 às 23h44min

Promotor e delegada visitam casa de Matriz Africana alvo de atentado

Vítimas relataram que disparos foram efetuados após discussão sobre religião

O Fato com o Gazetaweb

Integrantes do Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) e da Polícia Civil visitaram, na tarde desta segunda-feira (24), uma casa de Matriz Africana localizada no conjunto Benedito Bentes, em Maceió, alvo de um atentado à bala durante uma celebração religiosa. Na ocasião, a Ialorixá Cristiane Alves foi baleada e precisou ser encaminhada para o Hospital Geral do Estado (HGE).

O objetivo da visita foi mostrar à população que todos têm o direito de se manifestar livremente, ao tempo em que as autoridades buscam identificar os responsáveis pelo crime. Segundo o promotor Flávio Gomes, o órgão vai acompanhar o caso até que o fato seja esclarecido. "Nós não compactuamos com o crime. Solicitamos que a polícia trabalhe no sentido de identificar e prender os responsáveis. Eles não podem continuar soltos. Precisam ser presos", expôs.

Ao lado da delegada Maria Tereza, que será a responsável por conduzir a investigação, os integrantes do MPE visitaram a Casa de Axé Ile Axé Jexoro de Oxúm. No local, foram colhidos relatos e testemunhos das pessoas que estavam no momento em que houve o atentado à bala. As testemunhas relataram que tudo se deu após uma discussão com integrantes de outras religiões. Ao promotor e a delegada, o pai de santo Manoel de Xeroqué narrou os fatos. 

"Ao fim da festa, as crianças e alguns adeptos estavam na porta da Casa de Axé quando um casal de supostos protestantes passou e o homem falou 'está amarrado'. Neste momento, o pessoal disse amarrado não, axé para você. Aí, ele rebateu dizendo que morreríamos no fogo do inferno. Daí, perguntamos como ele queria que respeitássemos o amém dele se ele mesmo não respeita o nosso axé. Ele rebateu mais uma vez dizendo 'vocês vão ver o axé'. Momentos depois, ele voltou com outro rapaz e deflagrou vários tiros contra a nossa porta", narrou o pai de santo.

Manoel de Xeroqué contou ainda que, após os fatos narrados, tem medo e teme pela sua vida. "Estou muito abalado com tudo isso. Não deixo mais a porta aberta. Tenho medo de sair e entrar na minha própria casa. Às vezes durmo em outro lugar, visto que tenho medo de ficar aqui sozinho. Está sendo muito difícil. Isso foi pura intolerância religiosa. Minha vizinha é evangélica e muitos evangélicos me respeitam aqui. Falo com todos do bairro. Esse foi um caso isolado", desabafou Alves.

 

Vítimas relataram todos os fatos para a delegado e o promotor do MPE

FOTO: PEDRO FERRO

 

 


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