16/10/2015 às 14h00min - Atualizada em 16/10/2015 às 14h00min

O amigo do poder.

O Fato
Fernando Cpi

Não importa quem esteja no comando, importa o comando. O amigo do poder não escolhe pessoas, escolhe a situação em que elas se encontram. Ele tem uma capacidade de farejamento inigualável e percebe antes da maioria quem vai se dar bem e quem vai se dar mal. Estando do lado fraco, sabe pular na hora certa para o forte em uma dança bem feita de posições sempre as mais cômodas.

O amigo do poder é a síntese de todo o interesse que há no mundo, seja político, midiático, religioso, artístico, esportivo ou em uma simples associação de moradores. Ali está o amigo do poder, solícito, atento, aflito para ajudar… enquanto vantagem puder levar. Não se constrange em forçar intimidades, criar do nada uma relação afetiva com aquele que momentaneamente esteja ocupando um importante cargo.

O verdadeiro amigo do poder tem uma potente noção das mudanças climáticas: quando vai ventar, a intensidade e a velocidade e o que irá restar depois da passagem de uma brisa ou de um furacão. Ele, precavido meteorologista do oportunismo estará muito bem. Seja lá quem for o presidente do clube ou da Câmara, o deputado ou o prefeito, o amigo do poder será o braço direito, o confidente, o primeiro a ser ouvido. Mas, não espere dele fidelidade. Embora dê a todos e principalmente ao iludido a perfeita impressão de ser útil e muito inteligente, fidelidade passa longe do tipo. O amigo do poder sempre se dá bem. E nunca está satisfeito.

Sabe de tudo o que se passa nos bastidores e mesmo sendo esperto, pode, ser bem manipulado. Até certo momento da história. Depois, é incontrolável. Uma força irresistível lhe arrastará ao novo centro de poder e tudo será apenas uma questão de disfarçar ou não a adesão.

Alguns, menos safos, trocam de lugar antes da hora, se arriscando a se perderem numa estratégia mal feita e sem retorno. Os mais experientes raramente erram: sabem o exato instante de trocar a camisa. Ou de não trocar. Não se arriscam, não se expõem. É fina a linha de atuação do sábio amigo do poder. Dele pouco pode se dizer. Tem muitas desculpas para as suas atitudes, todas bem feitas e quase sempre aceitas. Afinal, não vale à pena ter como inimigo um deles. São calculistas e vingativos, atropelam qualquer um que cruze a estrada das intenções óbvias. O amigo do poder é o amigo do rei: influencia, sugere, instiga e até decide.

Hoje de um lado, amanhã do outro, insaciável, muda de cara e opinião com muita facilidade e não admite nunca ser contrariado. Uns, são mais famosos, outros, mais discretos. Porém, não tem jeito. O amigo do poder acostumado a farejar os que estão por cima, acaba exalando um forte cheiro: o podre cheiro da traição.

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