08/07/2016 às 09h33min - Atualizada em 08/07/2016 às 09h33min

Cinco policiais são mortos e seis ficam feridos em protesto racial em Dallas

Segundo o chefe de polícia da cidade, três pessoas foram detidas

O Fato Agência de Notícias

Atiradores alvejaram um batalhão da polícia que acompanhava uma manifestação em Dallas (Texas), na noite de quinta-feira (7), matando cinco policiais e ferindo outros sete.

O protesto no Texas, que começou e permaneceu pacífico por duas horas, com cerca de 800 pessoas, foi um dos vários que explodiram em cidades dos EUA após a morte de dois homens negros por policiais brancos nesta semana.

Três pessoas estão sob custódia das autoridades após a emboscada contra os agentes, tida pela polícia como cuidadosamente planejada e executada.

Um quarto suspeito morreu, em condições ainda não detalhadas pelas autoridades, após ter trocado tiros e negociado com a polícia em uma garagem, durante a madrugada. Segundo a Reuters, o suspeito se matou com um tiro.

Esse quarto suspeito alertou sobre possíveis bombas espalhadas pela cidade —não encontradas em varredura feita pela polícia.

O chefe da polícia de Dallas, David Browm, afirmou que os atiradores, alguns em posições elevadas em relação ao solo, usaram fuzis de precisão para atirar contra o batalhão no que parece ter sido um ataque coordenado.

"[Eles estavam] trabalhando juntos com rifles, triangulados em posições elevadas em diferentes pontos da área central da cidade para onde caminhou a marcha", disse Brown em uma coletiva de imprensa.

De acordo com o prefeito da cidade, Mike Rawlings, dois civis também ficaram feridos no tiroteio. O prefeito disse acreditar que nenhum dos feridos, civis ou policiais, tenha ferimentos que coloquem a vida em risco.

"Foi uma noite devastadora", classificou a polícia de Dallas no Twitter.

Em viagem a Varsóvia (Polônia), o presidente Barack Obama afirmou que "não há justificativa possível para este tipo de ataque ou qualquer violência contra autoridades".

Um dos cinco agentes mortos foi identificado como Brent Thompson, 43, integrante do departamento de polícia do Dart (agência do trânsito da cidade) desde 2009.

Dos onze policiais atingidos, dez foram baleados durante os protestos, segundo Brown. O outro foi ferido durante o tiroteio, na garagem, com o suspeito que acabou morto.

Ainda não está claro se os atiradores foram motivados pela tensão racial que se elevou no país após as mortes de dois negros por policiais nos últimos dias ou se eles teriam aproveitado os protestos para uma ação terrorista.

Vídeo de testemunha

O tiroteio ocorreu a um quarteirão da praça onde o presidente John Kennedy foi assassinado em 1963, e onde hoje há um memorial em sua homenagem

Esta quinta (7) foi o dia mais mortal para autoridades americanas desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, segundo uma entidade americana que contabiliza mortes de policiais e outras autoridades. Nos ataques de 2001, 72 oficiais foram mortos, diz a entidade.

MORTES POR POLICIAIS

A morte de Philando Castile, 32, e Alton Sterling, 37, foi o gatilho para uma série de protestos nos Estados Unidos, em sua maioria pacíficos.

A namorada de Castile, Diamond Reynolds, transmitiu a morte em tempo real, via streaming no Facebook, a partir de Falcon Heights, em Minnesota, na quarta (6).

No vídeo, é possível ver o policial que atirou em Castile, com a arma apontada para dentro do carro, e a filha de 4 anos da mulher chorando no banco de trás. "Você disparou quatro balas, senhor. Ele só estava pegando sua carteira de motorista", diz Reynolds.

Na terça (5), Sterling foi imobilizado, com o rosto no chão, em frente ao posto de conveniência onde vendia CDs em Baton Rouge, Louisiana. Após gritar "arma!" (que supostamente estaria no bolso do suspeito), o policial atirou várias vezes. Não prestou socorro imediato, conforme imagens registradas por celulares.

Sterling e Castile se tornaram os 122º e 123º negros mortos pela polícia americana em 2016, segundo banco de dados do "Washington Post".

O número representa 24% de 509 vítimas. Os afroamericanos somam 13% da população americana, segundo o censo.

As mortes reaqueceram o debate sobre racismo e violência policial nos EUA.

O presidente Barack Obama disse que não vê as mortes por policiais como "incidentes isolados" e que "todos os americanos deveriam estar profundamente perturbados" por elas.

O governador de Minnesota, Mark Dayton, afirmou que ninguém deveria morrer por causa de uma lanterna quebrada (o que levou Castile a ser parado pela polícia, segundo a namorada).

"Isso teria acontecido se passageiro ou motorista fossem brancos? Não creio", disse o governador, que pediu investigação federal.

VIRAL

Em outro vídeo, Diamond explica por que exibiu ao vivo a morte do namorado: "Quis que viralizasse. A polícia não está aqui para nos proteger, mas para nos assassinar".

"Em vez de cair num padrão previsível de divisão e politização do caso, vamos refletir sobre como podemos melhorar", afirmou Obama, o primeiro negro de 44 ocupantes da Casa Branca, horas antes do ataque no Texas.

O problema é que os EUA vêm refletindo há anos, sem que episódios semelhantes deixem de emergir, diz à Folha Eddie Glaude Jr., autor de "Democracy in Black".

"É a contradição fundamental no coração da América. Não importa o quão comprometidos dizemos ser com a democracia, neste país a vida branca tem mais valor. A qualquer momento alguém pode respirar pela última vez pelo único motivo de ser negro."

Como o era Michael Brown, 18, suspeito de roubar um pacote de cigarros em 2014 que foi morto por um oficial branco. O caso deslanchou semanas de protestos (alguns violentos) em Ferguson. A cidade no Missouri é 67% negra, e só três de seus 53 policiais não eram brancos à época.

"Em tempos como estes devemos lembrar a importância de unir as Américas", afirmou o governador do Texas, Greg Abbott, sobre a morte dos agentes.


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