04/01/2016 às 01h42min - Atualizada em 04/01/2016 às 01h42min

Arábia Saudita rompe relação com Irã após críticas por execução de clérigo

O Fato com Folha

O reino da Arábia Saudita anunciou neste domingo (3) o rompimento das relações diplomáticas com o Irã, após o país persa criticar duramente a execuçãopelas autoridades sauditas de um proeminente clérigo xiita.

O governo saudita pediu que a missão diplomática do Irã e todas as entidades relacionadas deixem o país em até 48 horas, afirmou o ministro de Relações Exteriores Adel al-Jubeir, em uma entrevista coletiva.

Segundo Al Jubeir, o rompimento foi resposta à invasão da embaixada do país em Teerã. Ele disse que o ataque está alinhado com invasões a embaixadas de outros países no território iraniano e citou políticas iranianas para desestabilizar a região, criando "células terroristas" na Arábia Saudita.

"À luz destes eventos, anunciamos o rompimento das relações diplomáticas com o Irã. [...] O embaixador foi convocado para notificá-los", disse, acrescentando que Riad não permitirá que os iranianos afetem a segurança do reino sunita.

Em 2011, Washington anunciou ter descoberto um suposto complô do Irã para assassinar Al Jubeir, então embaixador saudita nos EUA.

Na madrugada deste domingo, centenas de manifestantes contrários à execução do clérigo atacaram a embaixada saudita em Teerã com pedras, paus e coquetéis molotov. As bombas de fabricação caseira provocaram um incêndio em uma das alas da representação diplomática. Ao menos 40 pessoas foram presas.

O consulado saudita em Mashhad, no nordeste iraniano, também foi atacado durante a noite. Os ataques foram condenados pelo presidente iraniano, Hasan Rowhani.

Os diplomatas sauditas foram retirados à pressa de Teerã. Eles chegaram na noite deste domingo (manhã de segunda-feira no horário local) em Dubai, rumo à Arábia Saudita, informou o canal saudita Al Arabiya.

A expulsão dos iranianos agrava a já tensa relação entre os rivais históricos do Oriente Médio, envolvidos em lados diferentes nos conflitos no Iêmen, na Síria e no Iraque.

A escalada começou após a Arábia Saudita anunciar, no sábado (2), a execução do clérigo Nimr al-Nimr e outros 46 acusados de terrorismo.

Nimr, 56, foi sentenciado à morte por desobedecer as autoridades, instigar a violência sectária e ajudar células terroristas. O clérigo, muito crítico da dinastia sunita Al Saud, liderou em fevereiro de 2011 protestos oposicionistas na parte leste do país, onde está concentrada a minoria xiita saudita.

A sua condenação já levara o Irã a criticar o reino saudita. Neste sábado, após a notícia de sua execução, o Ministério de Relações Exteriores iraniano afirmou que o país vizinho pagará um "preço elevado".

"O governo saudita apoia por um lado os movimentos terroristas e extremistas e, ao mesmo tempo, usa a linguagem da repressão e da pena de morte contra seus rivais internos. [...] Pagará um preço elevado por esta política", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Hossein Jaber Ansari, citado pela agência iraniana Irna.

As autoridades sauditas convocaram o representante diplomático do Irã no país para protestar contra as declarações de Ansari, que classificaram como uma interferência em assuntos domésticos.

MAIS CRÍTICAS

Neste domingo, autoridades iranianas voltaram a criticar a execução de Nimr. O líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, disse que os líderes políticos sauditas sofrerão com o castigo divino por terem executado o clérigo.

"O sangue derramado injustamente deste mártir vai, sem dúvida, em breve mostrar seus efeitos e a divina vingança cairá sobre os políticos sauditas", disse Khamenei, segundo informou a televisão estatal iraniana.

O líder supremo iraniano considerou a morte de Nimr um erro político do governo saudita e acusou a maior monarquia do golfo Pérsico de ter cometido um crime, assim como "outros similares que se realizam no Iêmen e no Bahrein".

Já o site de Khamenei comparou a Arábia Saudita à milícia radical Estado Islâmico.

Na página, foi colocada uma imagem cujo título é: "Alguma diferença?". Nela, aparecem meio a meio um homem com túnica preta, usada pelos extremistas da Síria e do Iraque, e outro com uma túnica branca, comum entre os sauditas. Ambos estão com armas brancas na mão –punhal, no caso do militante do EI, e espada para o saudita.

No lado do Estado Islâmico, aparece um prisioneiro de laranja com a mensagem: "Condenado à morte por se opor ao Estado Islâmico". Já na parte saudita, a inscrição é: "Condenado à morte por se opor aos aliados do Estado Islâmico".

RIVALIDADE

Os iranianos acusam os sauditas de financiarem o Estado Islâmico desde que o grupo conquistou partes do território do Iraque, em junho de 2014.

Os sauditas negam a acusação, mas o fato do país ter sido um dos primeiros países a deixar a coalizão internacional contra a milícia alimenta as críticas.

A monarquia do golfo Pérsico também é criticada por não reprimir os financiadores dos extremistas islâmicos, o que provoca reclamações dos aliados americanos e europeus.

A inação dos sauditas em relação ao Estado Islâmico é vista por alguns analistas como uma forma de enfraquecer a Síria e o Iraque, governados por dois aliados de Teerã –o ditador Bashar al-Assad e o premiê Haider al-Abadi.

Irã e Arábia Saudita ainda disputam indiretamente o domínio do Iêmen. Enquanto os iranianos reforçam os milicianos houthis, os sauditas comandam uma coalizão árabe para atacar os rebeldes e devolver o poder ao presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi.

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