16/12/2015 às 02h19min - Atualizada em 16/12/2015 às 02h19min

Cunha confirma que usa táxi de acusado de receber propina

Veículo de Altair Alves Pinto estava no imóvel do presidente da Câmara nesta terça-feira

O Fato com o Globo

RIO — Um dos carros encontrados por agentes da Polícia Federal (PF) na casa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), no Rio, nesta terça-feira, está registrado em nome de Altair Alves Pinto. O veículo — um táxi — é um Touareg branco, modelo 2013-2014, com placa LSM 1530, de Nilópolis. De acordo com informações de Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, em delação premiada, Altair era o intermediário da propina destinada a Cunha.

Policiais federais cumprem mandado de busca e apreensão na casa de Eduardo Cunha no Rio - Márcia Foletto / Agência O Globo

Em nota, a assessoria de Cunha afirmou que ele usa o veículo:

"Eventualmente o Presidente aluga o veículo para prestar serviços gerais", diz o texto.

Em depoimento à PF, Baiano apontou Altair Alves Pinto como braço direito do presidente da Câmara. Segundo o lobista, que está em prisão domiciliar, Altair recebeu uma remessa, cujo valor variavam entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, em outubro de 2011. O montante fazia parte da propina de US$ 5 milhões, que teria sido paga a Cunha, segundo Baiano, na negociação de dois navios-sondas da Samsung Heavy Industries pela Petrobras. A entrega do dinheiro a Altair aconteceu em um escritório no Centro do Rio. O destinatário era Eduardo Cunha.

 

Na ocasião do depoimento de Baiano, Altair ocupava um cargo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ele era assessor especial para assuntos parlamentares, lotado no gabinete do deputado Fábio Silva (PMDB), aliado de Cunha, com salário líquido mensal de R$ 7,6 mil. Antes,Altair foi funcionário de Cunha, em seu mandato de deputado estadual.

Registrado em nome de Altair, o veículo estava estacionado na casa de Cunha, em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio, segundo foto do jornal O Dia. Nesta terça-feira, agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) cumpriram mandados de busca e apreensão no local. Os policiais chegaram à casa do presidente da Câmara às 6h e deixaram o local às 10h45m, com um malote apreendido. Ao todo, a PF e o MPF cumpriu 53 mandados em sete estados e o Distrito Federal. A operação foi denominada Catilinária.


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