22/12/2017 às 17h07min - Atualizada em 22/12/2017 às 17h07min

Quarenta moradores de rua foram assassinados em Maceió somente em 2017

Número foi divulgado pelo Movimento Nacional da População de Rua em AL, que fará um ato junto com a Casa Ranquines neste sábado

O Fato com Agência O Globo

Casa de Ranquines oferece refeição aos moradores de rua de Maceió

FOTO: GILBERTO FARIAS

 

 

 

 

Moradores de rua assistidos pela Casa de Ranquines e o Movimento Nacional da População de Rua farão um protesto, neste sábado (23), véspera de Natal, na tentativa de chamar a atenção da sociedade e do poder público para a falta de amparo aos moradores de rua, que neste ano foram alvos de diversos atos de violência. A mobilização vai acontecer no Centro de Maceió. De acordo com eles, só este ano, 40 moradores de rua foram assassinados no estado. 

 

"Temos que que fazer um protesto, escrever em cartazes os crimes que estão cometendo conosco. Estão matando os nossos irmãozinhos e ninguém se importa com isso", disse de forma exaltada Luiz Carlos, morador de rua que teve um amigo morto, também morador de rua, nesta madrugada. 

 

Rafael Machado diz que 40 moradores de rua foram assassinados este ano em AL

FOTO: GILBERTO FARIAS

Segundo Rafael Machado, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua em Alagoas, até esta sexta-feira (22), dos 40 moradores de rua assassinados em Maceió este ano, três deles foram mortos somente esta semana. "Nós somos vistos como vagabundos, como lixos, somos invisíveis para a sociedade e é justamente esta invisibilidade que nós precisamos que seja removida" conta Rafael. 

 

O frei João Maria, um dos responsáveis pela casa de Ranquines, informou que a violência é uma constante e que é praticada também por quem deveria protegê-los. 

A programação para a população de rua - que faz alusão ao Natal, além do manifesto, será voltada para a promoção da cultura e oferta de cuidados. Haverá apresentação do Batuque Mandaú, grupo no qual crianças à margem da miséria tocam instrumentos de percussão, apresentação do grupo de louvor, como também cuidados com a saúde, onde terá a o Banho Solidário, para a higienização, como também o tradicional café da manhã, almoço e lanche para os moradores de rua. 

 

Frei João fala sobre a situação dos moradores de rua de Maceió

FOTO: GILBERTO FARIAS

O frei conta que para a Casa distribuir as cerca de 200 refeições diariamente são muitas as dificuldades e que a Casa precisa muito de doações. "Dezembro é o mês que mais recebemos doações. É quando as pessoas geralmente ficam mais solidárias, só que acham que esta prestação só devem ocorrer nessa época, mas não é bem assim, pois as pessoas sempre sentem fome" conta o frei João Maria. 

 

 

A adolescente Sandra da Silva, de 15 anos, conta que 10 pessoas da família se alimentam de segunda a sexta-feira na Casa de Ranquines e que, se o serviço não existisse, eles estariam "passando fome". "Aos sábados e domingos fica mais difícil, pois a Casa está fechada e as pessoas não costumam nos ajudar, então a fome aperta", contou a adolescente, que estava com a prima de um ano no colo e acompanhada de dois irmãos mais novos. 

 

Sandra conta que ela e a família se alimentam todos os dias na Casa

FOTO: GILBERTO FARIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Casa de Ranquines recebe doações de roupas, comidas e dinheiro, para a promoção das ações. Os interessados em doar devem entrar em contato com a organização por meio do telefone 3326-2089, para acertar a melhor maneira de entregar as doações.


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