30/05/2017 às 21h27min - Atualizada em 30/05/2017 às 21h27min

OAB/AL recebe denúncias de estudantes agredidos em operação policial

O Fato com Agência

As Comissões de Defesa da Criança e do Adolescente e de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB/AL) receberam nesta terça feira, 30, os pais e estudantes da Escola Campos Teixeira, localizada na Ponta da Terra, em Maceió, e protocolaram as denúncias dos estudantes sobre a truculência policial durante abordagem realizada dentro da escola, no último dia 24, e sobre ameaças que teriam sofrido após registrar queixa da ocorrência.

Os estudantes abriram boletins de ocorrência sobre os crimes de ameaça, homofobia, racismo e lesão corporal. Também realizaram exame de corpo de delito.

Em depoimento, um dos estudantes declarou que os policiais teriam entrado na escola para supostamente proferir uma palestra.

 “Inicialmente tratava-se de uma palestra, que posteriormente culminou em agressões e ameaças, e que tentou correr no intuito de sair do Colégio, sendo impedido pelos Policiais; QUE, um dos policias deu um chute em suas costas, então pôr impulso na tentativa de se defender, pegou uma cadeira e atirou próximo ao agressor (policial)... mas observou ainda, que a cadeira não teria atingido o policial; QUE, logo após chegaram mais policiais com spray de pimenta, e armados com balas de borracha (...) onde por diversas vezes usaram palavras ofensivas; QUE, os Policiais obrigaram o declarante a retornar para o pátio da escola, então, logo após, os policias o alcançaram e mandaram o mesmo deitar-se no chão e colocar as mãos na cabeça, foi quando recebeu um chute na nuca”, detalha o Termo de Declaração. 

Ainda segundo o estudante relata no depoimento, houve xingamentos de cunho homofóbico, além de ameaças dentro da delegacia para onde eles foram encaminhados.

 “E disse também que eles tinham sorte, pois os mesmos eram do reforço, que se fossem do batalhão original aconteceria coisa pior, onde eles alegariam legítima defesa, e apertou mais ainda seu queixo e em tom alto de voz dizia: está ouvindo, proferindo dois 02 tapas, humilhando o declarante; QUE, logo após o levaram para o CODE, Complexo de Delegacias em Mangabeiras, no entanto não tinha Delegado no referido plantão, então se dirigiram a Central de Flagrantes do Farol; QUE, o declarante juntamente com os dois alunos foram levados para uma salinha na parte de trás da Central, que funciona como cela, onde sofreram novas agressões verbais, praticadas pelos militares, que colocaram fuzil contra o rosto de alguns dos alunos, ameaçando os mesmos de morte, e a todo instante ficaram filmando; QUE, foram momentos de terror, tortura física e psicológica, e que os alunos não foram ouvidos pelo Delegado, não puderam se defender das acusações, no entanto, assinaram documentos, sem ao menos saberem o conteúdo”, declarou sobre a atuação policial.

Um segundo estudante também relatou que foi agredido por aproximadamente seis policiais no entorno da unidade escolar, apesar de já ter saído da escola que teve as aulas suspensas devido à “confusão generalizada” que aconteceu entre alunos e policiais.

“Tinha acabado de sair da Escola, pois devido à confusão generalizada que houve entre alguns alunos e os Policiais Militares, as aulas foram suspensas, e o mesmo estava a caminho de sua residência, quando foi abordado pelos Policiais; QUE, os Policiais mandaram o declarante deitar no chão, afirmando que o mesmo teria participado da confusão agredindo alguns Policiais, em seguida passou a ser espancado com chutes nas costelas e no rosto; QUE, o declarante foi colocado no xadrez da Viatura e conduzido para o CODE (...)”. 

O vice-presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente, Paulo Paraízo,  considerou os relatos gravíssimos e reforçou que deve buscar esclarecimentos de forma rápida, prezando pelo cuidado como os fatos relatados pelas partes devem ser investigados. 

“Não tem como não ficar estarrecido com esses relatos. São denúncias graves. Acompanhamos esses estudantes e as famílias em novas confecções de boletins de ocorrência, já que eles ressaltaram que assinaram o primeiro sem poder ler, e agora também com a realização de exame de corpo de delito. É preciso investigar o caso, não podemos fazer julgamento sem bases, mas nos assusta ter o conhecimento de tudo o que foi relatado e acompanhar as imagens do transcorrer da ação. Precisamos de uma resposta da Segurança Pública, através de uma averiguação rápida e concreta. Após a realização de todos esses encaminhamentos e investigações, sendo comprovada a ação truculenta e as ameaças sofridas a OAB Alagoas deve cobrar que as medidas cabíveis sejam tomadas com urgência”, finalizou.

Fonte: Cadaminuto


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