06/05/2017 às 11h21min - Atualizada em 06/05/2017 às 11h21min

Alagoas emite 7 milhões de toneladas de CO2 por ano e já polui o ar em níveis próximos aos de SP

O Fato com Agência

Como ‘descarbonizar’ o mundo e evitar o aquecimento do clima? o que fazer para reduzir os níveis de poluição? Um bom impulso para buscar essas respostas é conhecer melhor o que despejamos diariamente em nossa atmosfera, aqui mesmo em Alagoas, sejam em gases de efeito estufa (GEE) ou compostos poluentes.  

Para radiografar essa “nuvem” de gases que emitimos e respiramos em nosso estado, o TNH1 foi buscar dados e estudos em plataformas especializadas e nas universidades.

A soma das informações do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa – com números desde a década de 1970, que divulgamos nesta reportagem pela primeira vez – e estudos da Ufal e do Ifal, traze conclusões que, se não são motivo para pânico, também não nos deixam dormir ou respirar tranquilos.

No Centro de Maceió já se respira um ar parecido com o de grandes centros urbanos, como o de São Paulo. E toda essa “sujeira” da capital - que já tem mais veículos que todo o estado contabilizava há dez anos - se espalha por quilômetros, chegando a Coqueiro Seco, por exemplo, com a ação do vento.

No interior, o impacto do uso do solo, com uma agricultura de alta emissão de carbono, um dos gases de efeito estufa, pode deixar o clima 5 graus mais quente no semiárido, com emissão 15% maior de carbono do que os níveis atuais.

Em todo o estado, a emissão de carbono já alcança os 7 millhões de toneladas por ano. Em 1970 esse volume ficava pouco acima de 1 milhão.

Quanto às respostas, os especialistas dão as dicas na reportagem e o poder público fala em buscar alternativas. Mas os dados da matéria sugerem pressa, como avisa um professor da Ufal:  ‘Não é preciso pânico, mas já acendemos o alerta”.

 

EMISSÃO DE CARBONO: 7 milhões de toneladas por ano

Presente em parte dos gases que influenciam o efeito estufa, o carbono pode ser considerado um dos “vilões” quando se fala em aquecimento global, por absorver a radiação, não deixando que o calor da superfície da Terra se dissipe no espaço.

Somadas todas as fontes de emissão, agropecuária, energia, mudanças de uso da terra, processos industriais e resíduos, despejamos anualmente cerca de 7 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2e) por ano. Toneladas de CO2e que temos despejado na atmosfera por meio de automóveis, queimadas, desmatamento e agropecuária.

Os dados da plataforma SEEG (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa ) utilizados na reportagem seguem as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), e tomam como base dados do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

As medições do Sistema consideram o chamado CO2e –CO2 equivalente – medida internacional que leva em conta o potencial de aquecimento global dos gases envolvidos e calcula quanto de CO2 seria emitido se todos os SGEEs fossem emitidos como esse gás

Para entender melhor a participação do Carbono no efeito estufa, confira o vídeo abaixo:

Uma análise mais minuciosa dos números do SEEG aponta para duas conclusões principais: a primeira é o crescimento das emissões do setor de energia. A segunda é a gradual redução do percentual de emissão do setor agropecuário.  

DE 1970 A 2015: Percentualmente, crescimento de emissões supera o de São Paulo

Uma visão superficial dos números de emissão de gases do efeito estufa no Estado pode levar a uma interpretação exageradamente otimista. De fato, somos o 26º no ranking nacional, e o 8º entre os estados nordestinos. Mas quando se fala em emissões desses gases, a área territorial, população e o desenvolvimento socioeconômico têm influência direta: território menor significa menos emissão pela agropecuária, menos pessoas para emitir, para consumir produtos e serviços que influenciam na emissão de carbono, menos carros para queimar combustíveis fósseis, menos lixo para produzir. 

Uma das constatações que não nos deixa comemorar é que, se consideramos as emissões totais desde 1970 até 2015, Alagoas pulou de 1 para 7 milhões de toneladas.  Um salto de 600%. São Paulo, maior centro urbano do país, pulou de 22 milhões de toneladas em 1970 para 147 nos números de 2015. Um aumento de 568% no período levantado pelo SEEG.

A tímida industrialização do estado fica clara nos números das emissões emitidas pelo setor em Alagoas, apenas 4%.

Considerando os dados no infográfico abaixo, a reportagem detalha as duas principais setores que influenciam nas emissões: Energia e Agropecuária.

Veja a evolução das emissões nos últimos 5 anos. Clique no gráfico e veja os números de 1970 a 2015:

ENERGIA: Emissão de gases é 4 vezes maior do que na década de 1980

Necessária em vários setores da vida moderna, a energia é dos maiores desafios, se não o maior, na tentativa de reduzir a emissão de gases-estufa no mundo. Entra na conta do setor desde a geração de eletricidade ao consumo de combustíveis fósseis (gasolina, diesel). Este último, o grande vilão na emissão também de gases poluentes. 

Em Alagoas, os dados da plataforma Seeg registram as medições nesse setor a partir de 1980, quando ele era responsável por 15% das emissões e emitíamos 477 mil toneladas de CO2e. Na década de 1990 esse número já era 794 mil t. Em 2015, 37% das emissões vieram do setor de energia, alcançando 2,5 milhões de toneladas de CO2e sendo jogados na atmosfera, o que representa mais de 4 vezes o volume despejado lá na década de 1980. 

Queima de combustíveis fósseis despeja 2 toneladas de CO2e por ano

De acordo com os dados da plataforma SEEG, da década de 1980 até 2015, a queima de gasolina, óleo diesel, gás natural, os chamados combustíveis fósseis deram um salto de 436%, tornando uma da das maiores chaminés de emissão de CO2e para a atmosfera.

Em 1980 emitíamos 477.943 toneladas de CO2;e em 1990 esse número havia subido para 794.958 toneladas; em 2000 passamos a barreira de 1 milhão (1.7 milhão) chegando a 2015 com 2,5 milhões de toneladas. 

O acumulado da década registra uma média de 2 milhões de toneladas/ano. Veja o infográfico:

Energias alternativas podem melhorar quadro

Os dados do SEEG foram apresentados ao professor Stoecio Malta, que leciona nos cursos de Meio Ambiente e Engenharia Ambiental do Instituto Tecnológico de Alagoas (Ifal). Para o especialista, entre as alternativas, no caso do setor de energia, estão tecnologias que, quando existem, são tímidas em Alagoas.

"Energia solar, carros elétricos são alguns caminhos para se reduzir toda essa emissão de carbono pelo setor de energia", afirmou o especialista. 

Em Alagoas, a última notícia sobre produção de energia solar foi a inauguração de mini usina de energia solar (foto abaixo), em setembro do ano passado, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. 

AGROPECUÁRIA: Arroto do boi pesa 3 vezes mais que o lixo no efeito estufa 

Atualmente, em Alagoas, a agricultura e a pecuária despejam na atmosfera 2,6 milhões de toneladas de CO2e. As emissões acontecem em sua maior parte durante alguns processos: queimadas, uso de fertilizantes nitrogenados e fermentação entérica. E é este último, de nome estranho, é o que  mais pesa nessa conta. 

A fermentação entérica, fruto do processo digestivo dos ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos), produz metano. É isso mesmo, o simples “arroto” do gado tem a sua parcela de culpa pelo crescimento do efeito estufa. Vale lembrar que o metano retém o calor atmosférico 21 vezes mais que o carbono. 

Com 1 milhão e 200 mil cabeças de gado, as contas do SEEG mostram que o rebanho  alagoano emite mais CO2e do que todo o lixo acumulado no estado. 

Em 2015, as emissões por fermentação entérica foi de 1,5 milhão de toneladas de CO2e, contra 374 mil toneladas emitidas pelo lixo (acumulado e incinerado) no mesmo período. Multiplicando por quatro (1,4 milhão), a emissão ainda não alcança o total que o nosso rebanho de gato emite. 

O pico de emissão de CO2e pelo lixo foi registrado em 2013, quando foram emitidas 379 mil toneladas. Confira o quadro comparativo. 

Agropecuária registra queda na participação do total de emissões 

As medições do Observatório do Clima mostram uma queda de 47% no peso do setor no total de emissões de CO2e desde 1970, quando as medições começaram a ser feitas em Alagoas. Em 1970 a agropecuária contribuía com 85% das emissões locais. Hoje esse percentual é de 38%, ainda que seja a maior, superando em 1% o setor energético.

Mas analisando de perto, alguns fatores se não justificam, ao menos explicam esses números.

A importância econômica do setor tira da agropecuária a sombra de “vilã” do meio ambiente, como acontece com a queima de combustível.

Perfil local ainda é de queimadas e agricultura de alta emissão de carbono 

Sobre a participação do setor na emissão de gases de efeito estufa, conversamos com o professor Stoecio Malta, que também atua como Coordenador da Sub­rede Mudanças Climáticas e Agricultura da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais, a Rede Clima. 

“Basicamente todo esse metano é emitido pelo gado de corte, por meio da fermentação entérica, o popular arroto, além das queimadas da cana-de-açúcar. São atividades econômicas importantes. No caso da cana, você tem a necessidade de usar adubo nitrogenado, e se não utiliza, a planta produz menos. Ou seja, você fica entre a cruz e a espada”, teoriza o professor. 

O professor Stoécio Maia, que leciona no campus Marechal Deodoro, diz ser só uma questão de tempo para o setor de energia ultrapassar a agropecuária.

“Hoje estão quase empatados, com o setor de energia colado na agropecuária. Mas sem investimento em transporte de qualidade, veículos mais econômicos, não tenha dúvida de que em breve as emissões do setor de energia vão ultrapassar o setor agropecuário”, calcula o professor. 

Semiárido: temperatura pode aumentar mais de 5 graus e prejudicar agricultura no Canal do Sertão 

O aumento da temperatura poderá trazer problemas para a região do alardeado Canal do Sertão, uma das maiores obras hídricas do governo federal nos últimos anos.

O professor Stoecio Malta e sua equipe passaram mais de dois anos estudando a vulnerabilidade do solo da região do semiárido, no entorno do Canal, ao aquecimento global.  Foram colhidas amostras do solo das cidades de Delmiro Gouveia, Pariconha e Inhapi.

Maia adiantou ao portal TNH1 algumas conclusões preliminares da pesquisa. Uma delas aponta que, sem o uso correto do solo, que inclui políticas para uso de agricultura de baixo carbono, a temperatura da região poderá subir e ter também um incremento de 15% na emissão de Co2e.

“Encubamos em temperaturas entre 28 a 33 graus amostras de solo retirados das cidades de Pariconha, Delmiro Gouveia e Inhapi. E até o momento, as primeiras conclusões apontam para a possibilidade desse aumento de mais de 5 graus na temperatura da região até o final do século”, alerta Maia.

“A gente usa atualmente dados globais. É importante fazemos essas contas com mais precisão. O semiárido já está sofrendo com o  aquecimento. Mas é preciso saber qual o real impacto dos sistemas agrícolas nisso. Esse estudo vai gerar uma série de indicadores com o intuito de que estas informações sejam disponibilizadas aos tomadores de decisão e produtores rurais, contribuindo para o planejamento e adoção de sistemas agrícolas (irrigados e de sequeiro) sustentáveis e com maior potencial produtivo”, destacou o professor, explicando a metodologia da pesquisa.

COMO EVITAR O PIOR? 

Especialista em sequestro de carbono (mecanismos de remoção de gás carbónico da atmosfera), o professor Stoecio Malta dá as dicas para reduzir a emissão de carbono pelo setor agropecuário, o que pode ser uma das medidas para evitar o aumento da temperatura no semiárido.

Entre as técnicas, o professor destaca a agricultura de baixo carbono. “Ainda usamos muito fertilizante sintético, nitrogenados. Parte desse nitrogênio volta para a atmosfera. Mas há técnicas para fixação biológica do nitrogênio, por meio da adubação natural. No cultivo da soja, por exemplo, hoje, não se usa mais adubo nitrogenado. Aqui já se começa a pesquisar técnicas de fixação biológica de nitrogênio em pastos e na cana-de-açúcar”, orienta Malta.

“Outro ponto importante é o uso racional do adubo. A adubação requer cuidados, e ainda vemos excessos e técnicas pouco racionais”, critica. 

 

Em Alagoas, Plano de Agricultura de Baixo Carbono não vingou

O chamado 'Plano ABC', do governo federal, prevê linha de crédito com juros baixos para agricultores que adotarem práticas com alto potencial de mitigação das emissões de gases de efeito estufa e combate ao aquecimento global. Entre as técnicas estão: recuperação de pastagens degradadas, fixação biológica do Nitrogênio, tratamento de dejetos animais e adaptação a mudanças climáticas.

"Aqui em Alagoas o plano não teve sucesso. Os juros não eram tão atrativos, e esse tema de agricultura de baixo carbono ainda é algo que começa a despertar no setor agropecuário", teorizou o professor.

 

Asplana: queimadas  reduzidas mas geografia prejudica mecanização 

TNH1 ouviu o técnico da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Antônio Rosário. Ele destaca que as queimadas em Alagoas têm sido reduzidas, diante da “mecanização inevitável”.  No estado, apenas 10% da colheita é mecanizada.

“Porém aqui no estado, a geografia atrapalha, pois temos essa questão do relevo, com áreas de encostas, que dificultam a mecanização. Mas as máquinas vieram para ficar, não tem volta”, ressalta. 

Com relação às técnicas de fixação biológica de nitrogênio, citada pelo professor Stoecio, o técnico da Asplana diz que há estudos, mas em nível nacional. Já quanto ao Plano ABC, Rosário diz que de fato não foi algo muito explorado.

“A fixação é mais comum com leguminosas. Mas com relação à cana-de-açúcar já tivemos estudos da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], mas são estudos em nível nacional”, afirmou.  

Compensação de carbono ajuda? 

Com peso na consciência, entidades e instituições têm adeiro à chamada compensação de carbono, por meio de inciativas - geralmente plantio de árvores - que tentam compensar as emissões de gases de efeito estufa produzidas. 

Mas para o professor Stoecio Malta, a iniciativa é louvável, mas é 'simbólica'. "É algo simbólico. Pois teríamos que as grandes indústrias e o setor agropecuários plantar florestas inteiras para compensar. Vale para cada um dizer que 'fez a sua parte', mas não resolve", aponta. 

Se com relação à emissão de gases do efeito estufa o pessimismo pode ser moderado, servindo mais de alerta, no ar que respiramos “aqui embaixo”, as doenças respiratórias que lotam hospitais já deixam claro que nosso ar está cada vez mais irrespirável. 

Para saber como está o nível de poluição do ar em Alagoas, o TNH1 conversou com os professores Rosiberto Salustiano, Glauber Lopes e Ericka Voss, do Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT), da Ufal.  

Para monitorar as emissões atmosféricas, o Instituto de Meteorologia da Ufal trabalha com ferramentas modernas como imagens de satélite e programas de computador, numa tarefa que tem a parceria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE; e a Universidade de Pelotas, igualando a qualidade dos nossos dados aos que são checados nos maiores centros urbanos do país.

Equipamento quebrado: última medição in loco foi feita em 2009

Mas uma ferramenta poderia “turbinar” os estudos da poluição do ar no Estado. O equipamento de medição não funciona desde 2009.  O alto valor do equipamento fez a universidade tentar uma parceria há alguns anos, o que acabou não se confirmando.

“Essa última medição foi feita em 2009 ali em frente ao Ibama. O equipamento quebrou e como ele é da década de 2000, as peças já não existem mais, e consertar seria complicado.  E é uma ferramenta muito importante para se precisar o nível de poluição, para saber como exatamente estão essas emissões, os níveis de poluição etc”, lamenta o professor Rosiberto.

Centro e principais vias têm nível de poluição semelhante ao de São Paulo

Veículos demais, ventilação de menos. O produto dessa soma tem deixado a capital alagoana quase tão poluída quanto a cidade d e São Paulo.

Em uma medição realizada em 2009, em um projeto de Mestrado do aluno da Ufal, Ronabson Cardoso Fernandes, foi registrado no Centro de Maceió concentrações da ordem de 30ppb (parte por bilhão), o que na época representava aproximadamente 30% dos níveis de concentração da RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), segundo dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). 

A situação é semelhante nas avenidas Fernandes Lima, Menino Marcelo – em Maceió, e Lourival Melo Mota, em Rio Largo, nos horários de pico. As figuras abaixo, fornecidas pelo ICAT, mostram o cenário. 

Na figura abaixo, fornecida pelo ICAT, é possível ver o nível de poluição. Quanto mais vermelho, maiores são a concentração de poluição. 

A pesquisa realizou medições de NOx (Óxidos Nitrosos) no centro de Maceió/AL em 2009 (NOx, poluentes emitidos principalmente por veículos pesados, ou seja, veículos movidos a Diesel). 

“Estima-se que, por conta do aumento da frota veicular maceioense, os níveis de concentração dos poluentes também tenham aumentado. E pensando no grande tempo sem registro de medições da qualidade do ar na capital alagoana, se faz necessário a realização de novas medições para avaliar os níveis de concentrações dos poluentes. Nossas estimativas utilizando modelos atmosféricos de qualidade do ar, indicam os maiores níveis de concentrações nas principais vias de transito de Maceió, e um maior destaque para o Centro de Maceió”, comenta o professor Rosiberto. 

Assista à entrevista com o professor, onde ele explica a poluição do ar em Maceió e a dispersão dessa "sujeira".

Ar poluído de Maceió se espalha até Coqueiro Seco 

Mas engana-se quem pensa que só os maceioenses respiram o ar poluído da capital. De acordo com as análise do ICAT, a poluição também se movimenta por quilômetros, no sentido oeste de Maceió. Levada pelo vento litorâneo, o ar poluído chega a cidades como coqueiro seco, a aproximadamente 30 km de distância da capital. 

“A poluição que é emitida em Maceió afeta Coqueiro Seco, que fica logo depois da Lagoa Mundaú. A poluição da Fernandes Lima, do Centro, por conta da ação do vento, chega até Coqueiro Seco”, explica o professor Rosiberto, mostrando os dados na figura reproduzida abaixo.

A mancha azul clara retrata a dispersão da polução “além Maceió”. 

Modelagem e satélites acendem sinal de alerta

Na conversa com o TNH1, os professores da Ufal explicaram como são obtidas atualmente as informações sobre poluição e emissão de poluentes na atmosfera em Alagoas.

O professor Rosiberto explica que a medição da poluição do ar é feito através da chamada modelagem, com projeções atualizada dos dados colhidos em 2009.

“Nossa principal tecnologia é a modelagem. É o modelo de qualidade do ar. São programas que fazem a reconstrução da atmosfera , uma simulação de um cenário passado tentando ver o futuro também. É um modelo aplicado em Alagoas desde 2010. Em São Paulo é usado desde 2006”, afirma o professor,

“A gente tem a medição de 2009, então pegamos esse modelo e reconstruímos a atmosfera de 2009, e fazemos uma projeção para a atual”, explica. 

O vilão: Maceió já tem mais veículos que toda Alagoas tinha há 10 anos 

Lançando gases poluentes em larga escala diariamente, a queima de combustíveis fósseis ainda é o grande vilão da poluição atmosférica. Em Alagoas, os números dessa “sujeira” expelida pelos escapamentos dos veículos têm crescido exponencialmente.

Os números de março de 2017 do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) contabilizam uma frota de 753 mil veículos no Estado. Um crescimento de 160% em relação a 2007, quando Alagoas possuía 289.364 veículos, número inferior aos 306.364 mil veículos que apenas a capital, Maceió, já contabiliza em 2017.

Nessa conta entram todos os tipos de veículos, desde carros de passeio, motocicletas, máquinas agrícolas, caminhões e etc. 

753 mil veículos nas ruas: o que fazer para poluir menos?

“Quando se dobra a frota, dobra-se também, grosso modo, o volume de emissão”. A equação destacada pelo professor do Icat, Glauber Lopes, mostra um cálculo matematicamente simples, mas de soluções múltiplas. 

“Temos uma frota pequena, comparada com estados maiores, mas sofremos com a dificuldade de dispersão, ou seja, de os gases emitidos pelos veículos se espalhem na atmosfera. E há medidas que podem pelo menos amenizar isso”, explica o professor, que aponta saídas, que listamos abaixo:

O professor Glauber Lopes comentou suas sugestões. O caso do rodízio há uma redução do número de veículos circulando. É o que alguns estados têm feito. Mas temos outras formas importantes também como a qualidade do transporte público.

“Um ônibus transporta 40 pessoas, e grande parte dos carros de passeio circula com apenas uma pessoa. Então, obviamente, que se investindo em um transporte de qualidade, as pessoas teriam essa alternativa, ao invés de todos saírem de carro”, calcula.

Sobre o monitoramento da fumaça preta ele afirma: “Os veículos são milhares, mas os ônibus nós temos três ou quatro empresas que exploram as concessões. Então temos métodos de baixo custo, por meio do disco [Ringelmann]. Não se teria uma grande redução, mas com certeza já teríamos uma redução nessas emissões”, teoriza.

“É preciso pensar crescimento urbano se pensando em como as pessoas vão se locomover na cidade”, reforça.

“Outro fator é a altura dos prédios que, além de criar ilhas de calor, na parte do litoral os prédios altos criam uma barreira para a entrada de ar limpo no espaço urbano”, lamenta.

Poder público: poucas propostas

A reportagem ouviu órgãos públicos envolvidos com os problemas citados na reportagem. As respostas são pouco animadoras, com exceção de um opacímetro, recém adquirido pela prefeitura.

Sobre o equipamento de medição da Ufal, quebrado há oito anos, nem a gestão municipal nem a estadual demonstram interesse. Ou por ser muito caro, ou por não está na linha de atuação neste momento. 

O Instituto Instituto do Meio Ambiente (IMA), disse que os dados da Ufal não são usados pelo órgão. "No momento não há nenhum trabalho sendo desenvolvido nesse sentido e os dados coletados pela Universidade de medição de emissão de poluentes não entra em estudos ou campanhas do IMA. Caso o trabalho seja retomado, terá que ser atualizado", informou o Instituto por meio da assessoria de comunicação.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semarh) disse que tem investido em outros projetos de meio ambiente, como a destinação de resíduos sólidos, entre outros, mas nada que se refira à medição da poluição do ar.  

Prefeitura adquire 'opacímetro': a boa notícia vem da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente de Maceió (Sedet). Apesar de também não demonstrar interesse em firmar parceria com a Ufal, informou que foi adquirido recentemente um opacímetro, equipamento que verifica a opacidade da fumaça emitida por motores à combustão (diesel). Ou seja, quanto mais escura a fumaça, maior a concentração de gases poluentes. Ainda não há data para o equipamento entrar em operação. 

"A equipe vai realizar fiscalizações periódicas e, com isso, se detectado níveis de poluição acima do padrão estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Código Nacional de Trânsito, o responsável será multado, havendo também a possibilidade de apreensão do veículo poluente", afirma o secretário Mac Lira.

Já quanto à emissão de carbono e também melhoria da qualidade do ar, a  Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Semds,  afirmou ter investido no plantio de arvores para reduzir a poluição, tendo, nos últimos dois anos, feito o plantio de 31.961 novas árvores na capital. Segundo o órgão, está sendo elaborado um plano de arborização de Maceió, que  intensificar o plantio atendendo a critérios técnicos e ambientais.

Tnh1


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