01/02/2017 às 00h49min - Atualizada em 01/02/2017 às 00h49min

"Ele matou minha filha friamente", diz ex-mulher de delegado federal

Maria do Carmo citou comportamento agressivo do ex-marido e saiu em defesa do neto que o matou

O Fato com Gazetaweb

Um dia depois de a polícia divulgar o resultado das investigações a respeito da morte da jornalista Márcia Rodrigues, encontrada em agosto do ano passado em um condomínio na cidade de Paripueira, a família convocou a imprensa, na tarde desta terça-feira (31), para contestar a versão de que a morte se tratou de suicídio. Maria do Carmo Rodrigues, ex-esposa do delegado federal Milton Omena de Farias, que era pai de Márcia e foi assassinado pelo neto, citou o comportamento agressivo do ex-marido e disse acreditar que Milton Omena Neto agiu em legítima defesa ao matar o avô. "Ele matou minha filha friamente. Era especialista em arma, sabia atirar e era muito violento", revelou a mãe da jornalista.

Apesar de colocar em xeque o trabalho que instituição criminal realizou ao longo de quase quatro meses, os familiares revelaram que, neste primeiro momento, o foco vai ser obter a liberdade de Milton Omena Neto, de 23 anos, preso na sexta-feira após matar o avô com uma facada. Ele teve a prisão em flagrante convertida em temporária e, por ora, não há prazo para que ele obtenha a liberdade. 

 

Mãe de Márcia Rodrigues diz que filha foi morta pelo próprio pai

Polícia diz que jornalista teria cometido suicídio

 

"Todos sabem que ele era um cara louco. Ele já tentou matar a minha mãe. Ele era um psicopata. As pessoas que conviviam conosco sabiam que ele nunca poderia ser contrariado, caso contrário, reagiria. Meu avô se tornava uma pessoa totalmente agressiva que todos ficavam com medo. É preciso que todos saibam desse outro lado dele. É preciso conhecer todos os fatos",  revelou a irmã do Milton, Débora Omena em conversa informal com a imprensa.  

Diante dos questionamentos feito ao laudo do Instituto de Criminalística do Estado de Alagoas, a defesa que representa a família de Neto e de Márcia Rodrigues não descarta contratar uma perícia isenta, visto que eles acreditam que ''há muitas brechas" entre o resultado final e o que, de fato, aconteceu. Os advogados dos familiares revelaram, por exemplo, que Milton Omena tomou banho antes de socorrer a filha que estava ferida com os disparos de arma de fogo, bem como queimou o colchão e trocou todo o piso de onde teria acontecido o suicídio horas após o crime. 

 

Maria do Carmo comenta como os filhos de Márcia souberam da morte

Mãe de Márcia Rodrigues concedeu entrevista coletiva

 

Discussão antes da morte

Os advogados levantaram a discussão também de que alguns vizinhos relataram, em conversa com os parentes, que presenciaram uma forte discussão entre o pai e Márcia um dia antes do crime, como também no dia da morte. E que, segundo depoimento de testemunhas, Milton estava totalmente limpo momentos após o crime.

"Como um homem, após a filha supostamente ter cometido suicídio, não tem uma marca de sangue? Ele não se aproximou de Márcia para saber o estado dela? Como o próprio pai disse que não sabia onde estava a arma, mas a Márcia sabia? Não é estranho, não? Todas essas perguntas precisam ser feitas e, por isso, esclarecidas", questionou Leonardo de Moraes, um dos advogados que representa a família. 

Ainda durante a coletiva, os advogados apontaram a necessidade de o resultado do exame residuográfico - que teria sido feito pela Polícia Federal em Brasília-, chegar até o conhecimento dos familiares de Márcia Rodrigues. 

Relacionamento entre Milton e o neto

Durante a entrevista coletiva, Maria do Carmo foi questionada pela imprensa sobre o relacionamento do neto com o avô e se, em algum momento, ele havia dito que iria matar Milton.

Maria do Carmo afirmou que, mesmo com o relacionamento conturbado entre os dois, Milton Neto nunca teve algum comportamento violento e que sempre foi uma pessoa carinhosa. Ela afirmou que o neto foi até a residência do avô no condomínio Porto Di Mare para que Milton confessasse que teria matado Márcia.

 

Maria do Carmo fala sobre Milton Neto ter ido a casa do avô

Maria do Carmo concedeu entrevista coletiva

 

Outro ponto levado por ele diz respeito as impressões digitais de Neto na faca que tirou a vida do delegado.  

"Não existem impressões digitais na faca porque na luta o Milton Neto segurou o braço do avô que estava com a faca em punho. O que aconteceu foi uma fatalidade", acrescentaram os advogados. 

 

Advogado alega que não há marcas de impressões de Neto na faca 

FOTO: RAFAEL MAYNART

 

 

 

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