24/07/2015 às 00h01min - Atualizada em 24/07/2015 às 00h01min

Mulher da Capa Preta

Autor Desconhecido - O Fato

Conheça o pouco que todos em Maceió conhecem sobre a jovem e bela Carolina Sampaio, ou Carol, cuja história foi contada em trova e verso por toda a cidade, e já virou até bloco de carnaval. De boca em boca, inúmeras versões de sua suposta história foram repassadas entre os maceioenses por, pelo menos, três gerações.

Uma noite romântica

Na Maceió de outros tempos, menor e mais ingênua, a cidade vivia noites de festa e alegria, nos grandes bailes que lotavam clubes que não existem mais. Talvez apenas na memória dos mais velhos. Certa noite, nesta Maceió romântica, Carolina estava apreciando o grande baile, com banda de fora e tudo, quando percebeu os olhares interessados de um simpático rapaz, bem vestido, que segurava no braço uma capa de chuva preta.

O desconhecido tomou coragem e foi falar com ela.

– Olá, moça bonita. Qual o seu nome?

– Carolina – disse ela risonha.

– Bela noite, não?

E os dois engataram na conversa e na dança, noite adentro. Sorriam e cantavam, como em um filme de época. Tudo era perfeito. O olhar do rapaz dizia que ele poderia muito bem se interessar por aquela pequena. Finalmente, quem sabe, ele namorava alguém firme e largava aquela boemia... Talvez até casasse?! Controlou a empolgação. Mas estava decidido a rever a garota no dia seguinte. Daria um jeito.

Ao final do baile, com os corpos moles de tanto dançar, o rapaz fica surpreso quando ela aceita o convite de uma carona para casa. Perfeito de novo. Ele mal acredita.

Chove muito e ele oferece sua capa para Carolina, que se protege enquanto correm para o carro do rapaz. Quando chegaram ao bairro do Prado, entre a Praça da Faculdade e o Cemitério da Piedade, a garota pede que ele a deixe ali, na esquina de sua rua. Ele insiste para ir até a porta da casa, que ficava bem próxima. Ela responde que prefere assim, e falou firme. Ele aceita. Não queria contrariar a moça no fim de uma noite perfeita.

– Deixo minha capa contigo. Amanhã venho buscar, certo?

Ela concorda com um sorriso, desce do carro e segue pela rua escura, não sem antes deixar seu endereço e roubar um beijo do rapaz. Ele espera um pouco, e quando acha que ela estava na segurança de casa, segue seu próprio caminho através da garoa fina. Já ansioso pelo dia seguinte.

Sob a luz de um novo dia

Na manhã seguinte, o rapaz acordou ainda sonhando com a moça do baile. Voltaria  para buscar a capa, mera desculpa, queria era conquistar Carolina. Esperou a manhã passar, para não incomodar a garota e a família em seus afazeres. Por volta das 2h da tarde, ele foi, um tanto nervoso, até o endereço indicado no papel, na rua em que deixara a jovem na noite anterior.

– Boa tarde – disse uma senhora simpática que o rapaz identificou como mãe de Carolina. Ele apresentou-se, muito educado, e falou sobre a noite anterior, quando conheceu sua filha, e explicou que estava ali para buscar a capa e conversar com a moça, se lhe fosse permitido.

A mãe de Carolina Sampaio não conteve as lágrimas e reagiu com agressividade.

– Minha filha Carolina morreu, anos atrás.

O rapaz ficou branco e sentiu como se perdesse o chão sob seus pés. Pensou por um segundo, e não acreditou. Imaginou que a mãe não queria a filha, tão viçosa e sabida, de conversa com homem estranho. Mas a mãe mostrou a foto de Carolina pendurada na parede, e ele a reconheceu. Era uma foto de defunto. Morta, e maquiada como nunca em vida. Com data de chegada e saída deste mundo impressa na moldura.

O rapaz cambaleou. Primeiro se sentiu mal, o estômago revirou. Depois, insistiu e teimou. Não podia ser. A mãe, abismada com aquilo, o convidou ao Cemitério da Piedade, que ficava a poucos metros daquela mesma rua, para ver o túmulo de sua filha.

Eles caminharam até a sepultura. Lá estava escrito: “Carolina Sampaio”, com a foto da moça do baile. E sobre a lápide, o rapaz encontrou sua capa de chuva preta.


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