08/11/2016 às 00h58min - Atualizada em 08/11/2016 às 00h58min

Ainda estou consternada.

Waleska Manso

No sábado, fui fazer o ENEM normalmente. Como estou no terceiro ano do ensino médio, minha pretensão era fazer uma prova tranquilamente, para que pudesse ser aprovada no curso que ainda almejo entrar. Pois bem, fui ao local de prova, na FAT, em Maceió. Entrei na sala de provas, fiz todos os procedimentos necessários: analisaram a identidade e guardei o que era para guardar. Aguardei o início das provas e, quando autorizado, comecei a fazê-la. Mais ou menos na questão 75, quando a fiscal foi coletar o cadastro biométrico, ela pegou minha identidade (até então normal) e alegou que era cópia, que eu não poderia fazer a prova portando cópia de documento. A questão é que não era cópia, era a mesma identidade que emiti em 2009 pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, a mesma que usei para emitir o Passaporte pela Polícia Federal, o título de eleitor pelo Tribunal Regional Eleitoral, para viajar aos Estados Unidos, enfim, para tudo. Mesmo dizendo o contrário, ela foi à minha cadeira quatro vezes para insistir que era cópia. Interrompia e me atrapalhava, além de me deixar preocupadíssima com a situação. Na quinta vez ela me pediu para que eu a acompanhasse até a coordenação. Lá me fizeram assinar um papel em branco (literalmente em branco, nada escrito), no qual a coordenadora também assinou, e esta mandou o fiscal ir pegar minhas coisas no local de prova, pois, segundo ela, eu não poderia voltar para lá. Ela me disse que, se eu quisesse ir fazer prova amanhã, eu teria de levar a identidade e um Boletim de Ocorrência.
No domingo, levei ambos os documentos, além do passaporte. Entrei normalmente na sala novamente. Quando eu estava esperando para fazer as provas, um fiscal veio me chamar para a coordenação, e o acompanhei. Entre muitos fiscais, todos de farda branca, havia um garoto, do qual soube que estava em situação igual à minha. A coordenadora falou para nós: “Estou admitindo meu erro de ter mandado vocês virem hoje. Vocês vão ser eliminados pelos dois dias de prova”. Ora, por que me pediu para ir de novo no outro dia? Eu só queria fazer a prova para ser aprovada numa universidade, e fim. Estudei para isso. Sem contar que fui treineira nos outros anos. Logo no meu terceiro ano isto me vem acontecer. E sem falar do constrangimento que passei com isso tudo: todos da sala comentando, se perguntando o que podia ter acontecido.Outra coisa terrível foi a ameaça que fizeram ao garoto quando viram que ele queria me ajudar. Disseram que “não era o mesmo caso” e que ele “poderia se prejudicar no ENEM do ano que vem”. Será que esses fiscais têm tanta influência assim no ENEM, a ponto de prejudicá-lo se ele decidir abrir a boca? Fiquei pasma, perplexa.

Chorei muito em ambos os dias, e ainda me sinto péssima por causa disso tudo. Não quero ter de passar por isso nunca mais. Quero que ninguém tenha de passar por isso.

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