01/03/2021 às 09h51min - Atualizada em 01/03/2021 às 09h51min

CORONEL FIRMINO REBELO TORRES MAIA

Dr. Olegário Venceslau de Oliveira e Silva
              Os velhos caminhos sinuosos engenho Boa Esperança, nos longevos rincões de uma Chã Preta rural e não menos bucólica trazem a guisa de memória reminiscentes lembranças dum pretérito mais que centenário que se entrelaçam quais ramos de um frondoso e vetusto arvoredo, à sombra de quem a história preteritamente fora escrita, ao sabor picante da garapa da cana de açúcar, amalgamada com o odor nectário do melaço que lentamente escorre por entre as moendas. Naquele campesino cenário naturalista, máxime das íngremes paragens verdejantes sob a égide senhorial do patriarcado do clã Rebelo Maia, egresso das terras lusitanas do além mar, surge entre sua prole de descentes a figura jamais olvidada, que trouxe consigo muito mais que o sobrenome aristocrático, mas, sobretudo o legado indelével de homem invulgar, devotado as tradições de sua terra e às crenças católicas herdadas de seus antepassados, tornando-se um exímio político e conciliador de escol: Coronel Firmino Rebelo Torres Maia (1836-1910).
           O irrequieto menino [Firmino Maia] criado pisando na bagaceira do engenho de seus genitores, banhando-se amiúde nas turvas águas barrentas dos riachos daquela comuna com suas manias de curvas e sinuosidades, já demonstrava em tenra idade sua lídima vocação de homem do campo, arraigado ao labor diário da produção da cana de açúcar e seus derivados, tornando Boa Esperança num rentável e próspero engenho da zona da mata alagoana. De personalidade altiva e acima de tudo espírito diplomático, o Coronel Firmino Maia comandou o destino político-administrativo da então Assembleia [hoje Viçosa], buscando, sobretudo cultivar o equilíbrio e o bem comum de seus conterrâneos, necessários no árduo caminho de qualquer homem público.
             A casa-grande no alto do descampado testemunha silenciosamente a história do invulgar patriarca e senhor de engenho Firmino Maia, quando ali residia, fazendo daquele imponente sobrado o símbolo de seu poder político e senhorial por décadas. O engenho Boa Esperança não mais existe, seus alambiques que outrora exalavam o odor da garapa se consumiram pelas ferrugens, e o sino no cume da capela emudeceu para sempre, silenciando um tempo pretérito, quais seus mortos que repousam em jazigo perpétuo dentre eles o velho Coronel Firmino, restando simplesmente tênues recordações, numa fidedigna paráfrase ao soneto do doutor Jayme de Altavila (1895-1970): “Eu trago a minha terra em meus olhos, eu trago a minha terra em meu olfato, minha terra cheira a mel quente dos engenhos, minha terra tem o gosto ardente dos canaviais”.

 
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