02/08/2020 às 16h02min - Atualizada em 02/08/2020 às 16h02min

ESCOLA FOLCLÓRICA DE VIÇOSA

Dr. Olegário Venceslau
                    Há muito que os avelhantados engenhos de bangüês da bucólica Viçosa guardam consigo parte da história deste povo, cujas lembranças ainda avivadas na memória de remanescentes personagens que testemunharam a aparição de lídimas manifestações populares em suas profusas matizes ousam perdurar. Tais manifestações egressas do entrelaçamento étnico de nativos caambembes, colonizadores lusitanos e africanos escravizados, foram transcritas em desbotadas páginas de efêmeros jornais e epístolas, quais registros inapagáveis para as posteriores gerações. Os sons descompassados dos versos, cantados por afamados poetas à sombra arrefecedora dos alpendres da Casa-Grande da Mata Verde, quando de renhidas disputas entre vates locais, sob o patrocínio do Dr. Olegário Brandão Vilela (1886-1945) [precursor], tornavam àquela comuna ribeirinha num autêntico paiol do folclore alagoano.
                      Os espelhos e multicoloridos fitilhos, que ornamentam o frontispício de avantajados chapéus de velhos mestres, dão um brilho indescritível à apresentação do Guerreiro, sob os passos cadenciados de seus figurantes (rei, rainha, contra -mestre, lira, palhaço, índio Peri, dentre outros), acrescidos ainda às harmoniosas melodias que embalam as jornadas natalinas do Pastoril, numa ofuscante aquarela dualista entre o azul e encarnado, sempre contraposto pela mediação da Diana, que não possui cordão. Toda essa amálgama de folguedos e danças populares teve lugar no imaginário intelectual de antropólogo e médico de escol Dr. Théo Brandão – máxime da inteligência caeté, que fez de suas pesquisas um lídimo sacerdócio.
                        Durante décadas as tradições afro-ameríndias permeavam sobremaneira o vitae habitum [estilo de vida] de paupérrimos lavradores de terra, que quase sempre desprovidos de conhecimento acadêmico e acesso a medicina convencional, buscavam nas ervas e raízes bem como nas práticas misteriosas do curandeirismo, o lenitivo para as agruras a que estavam adstritos, cujos costumes adensaram os escritos de Dr. José Pimentel Amorim, culminando na publicação de sua invulgar obra: “Medicina Popular em Alagoas”.
                          Os cânticos dolentes de afamados vaqueiros nordestinos, sob o sol inclemente de uma terra ressequida, ecoavam por entre os arbustos da caatinga em forma de aboios e toadas, quais cancioneiros sobre o lombo de seus ginetes e muares, se tornando doravante fontes inesgotáveis de pesquisas do escritor José Aloísio Brandão Vilela, que ainda percorreu a largos passos os sinuosos caminhos até albergar as fidedignas origens do Coco de Roda em solo alagoano.
                            Somando-se a todo esse acervo miscigenado do folclore regional, que emoldura numa pintura naturalista diferentes expressões de linguagens, saberes e costumes, nascidos no imaginário popular, despontam os estudos elaborados com escorreita dissertação, peculiar à intelectualidade do romancista Dr. José Maria de Melo, cuja pena fulgurante foi capaz de imortalizar as crenças e superstições que hodiernamente povoam os pensamentos surreais da gente simples, legando a Princesa das Matas [Viçosa] o auspicioso e não menos festejado título de escola folclórica de Alagoas.

 
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