27/09/2017 às 11h39min - Atualizada em 27/09/2017 às 11h39min

Cármen Lúcia Dantas

“Procuro viver intensamente a minha vida, porque tenho o verdadeiro sentido da finitude do tempo”. ( Cármen Lúcia Dantas)

 

Cármen Lúcia Tavares Almeida Dantas nasceu em Penedo no dia 27 de setembro de 1945. Ali viveu sua infância e juventude. Isso lhe deu uma solidez muito grande pelos passos que veio dar na vida, tanto no aspecto pessoal quanto profissional. Menina, ainda, recebeu dos pais uma educação que lhe deu os alicerces pessoais, que norteariam sua vida. Concluiu os estudos na cidade natal.

O amor surgiu em sua vida. Residindo em frente à rádio, enfeitiçou-se pelos encantos de José Abilio, radialista que tinha conhecimento em língua portuguesa e, casando-se com ele, fixou residência no Rio de Janeiro. Da união nasceram três filhos, Andre, Daniela e Teresa.

Tendo Penedo como memória efetiva, uma cidade de majestosos casarões, um verdadeiro museu a céu aberto, ingressou no curso de Museologia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO). Retornando à Alagoas, especializou-se em História do Brasil e fez mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Enveredou pelo caminho do magistério e notabilizou-se pela especial proficiência com que lecionou História da Arte, na UFAL.

Grande incentivadora do folclore e cultura de sua terra, ao fundar nos anos oitenta, o bloco filhinho da Mamãe, revolucionou o carnaval maceioense. A ideia surgiu na mesa de um bar, depois do espetáculo do teatro “Estrela Radiosa”, onde um grupo de amigos se perguntava o que faria na festa de Momo. Apaixonados por frevo e marchinhas, decidiram sair com a boneca da peça, resgatando o carnaval de rua. O bloco é um dos mais tradicionais e democráticos de Maceió. Trabalhou no Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação de Alagoas (DAC), juntamente com a diretora Solange Chalita, realizaram o 1° Festival de Cinema de Penedo e o Festival de Verão (arte) de Marechal Deodoro.

Cármen Lúcia recebera convite do Reitor da UFAL, Rogério Moura Pinheiro, para recuperar o Museu Théo Brandão. Aceita o desafio e exerceu com êxito a missão. Conseguira recursos para restauração do prédio, instalação do acervo e a manutenção do Museu.

O historiador Douglas Apratto Tenório traça o perfil da museóloga, destacando, em vários parágrafos, fatos dignos de serem perpetuados:

Cármen Lúcia Dantas é um verdadeiro ícone da cultura alagoana. Como amigo, admirador e parceiro de várias obras escritas sobre a história e a cultura alagoana, posso afirmar que a personalidade desta mulher – presente em tantas atividades e projetos sobre a trajetória histórica, a memória, a arte, o artesanato e os folguedos populares – se faz sentir com vigor na Alagoas contemporânea. Penedense extremamente orgulhosa de suas raízes, da mesma forma que glorifica seu estado natal. Como educadora e intelectual, tem uma vida multiforme e rica. Dá uma contribuição ímpar para as artes e a memória alagoana, participando de ações e projetos plenos de experiências inéditas não só como autora, mas como criadora e impulsionadora de novas vias para a nossa cultura. Conhecida em todo o Brasil, em cada um de seus trabalhos tem sabido transmitir ensinamentos valiosos como no recente Mestres e Artesãos de Alagoas, que despertou no país um raro interesse pelo artesanato local por parte de designers famosos. Cármen Lúcia Dantas, exemplo de paradigma feminino, dentre tantas figuras que admiramos, simboliza o que de melhor se tem na criatura humana – é amorável, simples, dinâmica, fraterna, ética, corajosa, amiga dos amigos, preservadora das tradições e ao mesmo tempo revolucionária, além de outros adjetivos.

Concordo com o jornalista Ricardo Mota quando afirma que Cármen é o sorriso que muda o mundo. Confesso que em nosso convívio, deixei-me dominar primeiro pelo encanto juvenil do seu sorriso, que ilumina não apenas o seu belo rosto, como também todo o ambiente onde quer que ela se encontre.

 

Texto de Dartanhan Holanda publicado na Antologia Voleres de Minha Terra.

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